segunda-feira, 2 de março de 2009

Se o seu terceiro dia combinar com uma sexta-feira, sugiro que pense em algo totalmente cultural, o que combina muito com a cidade.
Praticamente não sucumbimos ao desejo de ir ao Ibirapuera – Ibira para os íntimos – darmos umas voltas, olharmos as paisagens e realmente, nos sentirmos verdadeiros nativos daquele “palácio de desejos”. As vezes penso que toda cidade grande, mereceria ter se Ibira, seu canto de descanso, seu próprio pulmão. É realmente lindo, estar em uma “ilha” criada para habitar uma cidade. A vista lá de dentro para a cidade causa a mesma emoção que se tem ao ver esse verde no meio daquela arquitetura branca.
Se preferir, tome café por lá mesmo. Perca uma manhã ou duas, se sinta em casa e sorria para as pessoas como um louco para descobrir que não existe só você ali.
Voltamos ao hotel para nos refrescar e nos prepararmos para mais um dia de caminhadas sem fim.
Bem perto do hotel, no encontro da 9 de Julho com a Paulista está o imponente e impenetrável, ou melhor, quase impenetrável MASP.

Arquitetura louvável e cartão postal – sim, bata fotos por lá, qualquer uma delas ficará linda tendo como pano de fundo essa estrutura que se equilibra de forma genial – para se levar pra casa.
Já dentro do prédio, a única pergunta que se tem que fazer é: Como conseguiram entrar aqui e roubar esses quadros?
Primeiro, não vou entrar em detalhes sobre essa discussão, mas é impossível ignorá-la. Qual a intenção de se roubar um quadro desses, se ele não pode ser exposto em uma bela parede de uma bela casa? E se exposto, como um cidadão em sã consciência teria um quadro roubado para deleito próprio? Ego ? E as visitas? Com certeza o pagamento do furto não deve ser tão barato assim, então sempre suponho que o cara no mínimo deve ser rico e, óbvio, um tremendo historiador ou amante da história.
Enfim, questões superficiais, mas que realmente fazem muito sentido quando são observadas.
Além de tudo, a alma dos quadros é tão grande que a linha traçada ao chão, delimitando a distância entre você e o quadro não seria necessária. O sentimento dos artistas – entre eles, Monet, Manet, Picasso, Gauguin e meu preferido, Mondigliani – está tão impregnado naquela arte, naquele objeto, que você não tem a mínima vontade de tocá-los e almejá-los. Não sei explicar, é diferente, é como se todas as obras tivessem um “campo de força”, respeitado até pelos menores seres vivos.
Mas devo mentir que você perderá umas 2h lá dentro, e sim, as vezes parece não ter sentido você ficar lá, em pé, admirando algo, perdendo tempo com “arte” – falo isso de maneira geral, pois a alguns anos pensava assim -, mas no final, esse é o real motivo para você começar a admira-las, igualmente como se admiram as coisas boas e valiosas da vida. Os melhores vinhos não são os secos? Podem não ser os mais saborosos, mas com certeza são os mais apreciados.
Antes de continuar os passeios, devo sugerir a quem é que seja leitor desse blog, ou que um dia possa ler isso, que assista o filme “Modigliani”, com Andy Garcia no papel do artista – nesse caso o “pintor” -. Um filme e uma história de vida pra ser apreciada, “emocionada”, lamentada e chorada.
Logo ali próximo ao MASP, corra para o metrô – não tem lugar melhor pra ir... realmente, aquele “elevador horizontal” te carrega com cuidado e ajuda a fazer amigos. Só essa megalópole consegue ter um povo tão comunicativo, tão cheio de sorrisos em situações adversas e tão aberto ao que vem de fora – e vá direto a estação clínicas.
Logo na calçada, na primeira rua a esquerda da saída do túnel do metro, vá até a Teodoro Sampaio.
Devo admitir que a parte física da rua, facilita a todos na descida, mas não é nada amiga na subida. Ladeiras a parte, você acha na Teodoro móveis de todo o tipo. Talvez não os top’s, mas com certeza achará uma diversidade imensa de tipos e estilos.
Mas – sempre existem esses “mas” por lá – logo no começo da ladeira da Teodoro, meio que de maneira irreconhecível e impressionante (ow, eu não sou de Sampa, então pra mim foi meio estranho) dê uma olhada às placas das ruas transversais e você encontrará a.... Oscar Freire.
Nada do que eu tinha imaginado no início, mas estava escrito lá... Oscar Freire.
Minha irmã que me acompanhava também não entendeu bem ao certo como um lugar destinado às maiores riquezas do mundo fashion, poderia parece tão... discreta?
É claro que entramos na rua e começamos a descê-la. Por um tempo, o clima meio nublado da cidade mantinha a cor da rua meio estranha, bem longe do que imaginávamos ser a “Rodeo Drive Brasileira” – não era pra ser???? -.
Com o passar dos passos, adentrávamos ainda mais na rua e, tanto as pessoas como os lugares começaram a transpirar o que imaginávamos. Realmente, foi espetacular!
Não foi bem a Rodeo Drive, mas seus créditos estão estampados na quantidade de lojas chic’s por metro quadrado. Impossível não gastar!!!
Se você for, aproveite pra bater pernas até não agüentar. Até um homem como eu, é capaz de abdicar a esses gracejos e dar uma pausa na velha manha de se sentir cansado quando está acompanhando uma mulher em comprar.
Sugestão: Se estiver acompanhada de uma mulher, divida o passeio em etapas. Uma vez você acompanha ela até uma loja, na próxima, ela que acompanhe você. Também existe a possibilidade da separação por permanência na Oscar Freire. Cada um toma seu rumo – isso é bom quando estão entre amigos casais - e depois é só combinar de se encontrar na sorveteria da Häagen-Dazs.
Imperdível.
Não quero me prolongar no post e nem em contar as surpresas da rua mais badalada da cidade – pelo menos badalada pelos turistas ela é – mas, finalizando, peço que prestem atenção nas ruas laterais como Augusta e Haddock Lobo que dispensam comentários!
Ahhh e a noite? O que fazer?
Dica: Restaurante The View no Ed. Transamérica na Alameda Santos. Vista panorâmica da cidade e tudo de bom!