sábado, 22 de agosto de 2009

Neste fim de semana me coloquei a questionar a real importância da privacidade, do sentido da particularidade das emoções, do compartilhamento da dor e do ato crasso de aparecer!
Todas as questões intermediadas por um evento já comum numa sociedade exposta e escondida nas sociedades antigas. O suicidio!
Não vem ao caso citar nomes e nem julgar as ações. Vale apenas a reflexão quanto a exploração do ato (tanto pelo suicida quanto ao dos seus colegas).
Quase me expus ao ponto de me contradizer. Admiro a privacidade aberta, mas não acho justa a exposição da particularidade. Quando digo que quase me contradiz, foi justamente por creer na injustiça da particularidade. Quase dei um passo de encontro a ajuda e ao afago de um dos amigos da vítima (suicida sempre será vitima, mesmo quando a morte é causada por seu prórpio hálito)
As vezes a vontade de ajudar, a curiosidade e a interrogação parecem fazer parte da essência humana em se contradizer.
Mas levo muito a sério a palavra amigo, e por isso tenho poucos. Por isso acredito que, quando se é um (quando você está no posto de amigo, escolhido por outro), os gestos sempre ficam em torno de uma particularidade. Amizade é algo particular, é algo compartilhável ao mesmo tempo, mas que se exprime no máximo a razão de duas pessoas (mesmo que uma delas seja imaginária, o número sempre será de 2 pessoas).
Para mim, a ridicularização da amizade demonstra de fato que o "carinho" está intrínseco ao proveito em torno de uma situação. Podem estas palavras soarem fortes, injustas, mas no fundo, todo mundo sabe que é assim. Precisa-se de uma tragédia pra se impulsionar, para se aproveitar, para solucionar e conquistar. Depois a vergonha, quando vem, é uma dádiva!
Pessoas sentimentalizam a situação, expõe o particular, como se isso fosse trazer alguém de volta, quando na verdade somente trará a pena dos curiosos e os questionamentos de quem se importa. A prova da ridicularização e do aproveitamento estão, como já disse, no ato! Você expõe o que é particular e só aceita os prazeres do pesar, da condolência, mas fica fechado ao escracho de uma situação já escrachada, ao desconforto, ao ridiculo.
Privar é uma escolha, particular é o dever excepcional de ser próprio!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Se o seu terceiro dia combinar com uma sexta-feira, sugiro que pense em algo totalmente cultural, o que combina muito com a cidade.
Praticamente não sucumbimos ao desejo de ir ao Ibirapuera – Ibira para os íntimos – darmos umas voltas, olharmos as paisagens e realmente, nos sentirmos verdadeiros nativos daquele “palácio de desejos”. As vezes penso que toda cidade grande, mereceria ter se Ibira, seu canto de descanso, seu próprio pulmão. É realmente lindo, estar em uma “ilha” criada para habitar uma cidade. A vista lá de dentro para a cidade causa a mesma emoção que se tem ao ver esse verde no meio daquela arquitetura branca.
Se preferir, tome café por lá mesmo. Perca uma manhã ou duas, se sinta em casa e sorria para as pessoas como um louco para descobrir que não existe só você ali.
Voltamos ao hotel para nos refrescar e nos prepararmos para mais um dia de caminhadas sem fim.
Bem perto do hotel, no encontro da 9 de Julho com a Paulista está o imponente e impenetrável, ou melhor, quase impenetrável MASP.

Arquitetura louvável e cartão postal – sim, bata fotos por lá, qualquer uma delas ficará linda tendo como pano de fundo essa estrutura que se equilibra de forma genial – para se levar pra casa.
Já dentro do prédio, a única pergunta que se tem que fazer é: Como conseguiram entrar aqui e roubar esses quadros?
Primeiro, não vou entrar em detalhes sobre essa discussão, mas é impossível ignorá-la. Qual a intenção de se roubar um quadro desses, se ele não pode ser exposto em uma bela parede de uma bela casa? E se exposto, como um cidadão em sã consciência teria um quadro roubado para deleito próprio? Ego ? E as visitas? Com certeza o pagamento do furto não deve ser tão barato assim, então sempre suponho que o cara no mínimo deve ser rico e, óbvio, um tremendo historiador ou amante da história.
Enfim, questões superficiais, mas que realmente fazem muito sentido quando são observadas.
Além de tudo, a alma dos quadros é tão grande que a linha traçada ao chão, delimitando a distância entre você e o quadro não seria necessária. O sentimento dos artistas – entre eles, Monet, Manet, Picasso, Gauguin e meu preferido, Mondigliani – está tão impregnado naquela arte, naquele objeto, que você não tem a mínima vontade de tocá-los e almejá-los. Não sei explicar, é diferente, é como se todas as obras tivessem um “campo de força”, respeitado até pelos menores seres vivos.
Mas devo mentir que você perderá umas 2h lá dentro, e sim, as vezes parece não ter sentido você ficar lá, em pé, admirando algo, perdendo tempo com “arte” – falo isso de maneira geral, pois a alguns anos pensava assim -, mas no final, esse é o real motivo para você começar a admira-las, igualmente como se admiram as coisas boas e valiosas da vida. Os melhores vinhos não são os secos? Podem não ser os mais saborosos, mas com certeza são os mais apreciados.
Antes de continuar os passeios, devo sugerir a quem é que seja leitor desse blog, ou que um dia possa ler isso, que assista o filme “Modigliani”, com Andy Garcia no papel do artista – nesse caso o “pintor” -. Um filme e uma história de vida pra ser apreciada, “emocionada”, lamentada e chorada.
Logo ali próximo ao MASP, corra para o metrô – não tem lugar melhor pra ir... realmente, aquele “elevador horizontal” te carrega com cuidado e ajuda a fazer amigos. Só essa megalópole consegue ter um povo tão comunicativo, tão cheio de sorrisos em situações adversas e tão aberto ao que vem de fora – e vá direto a estação clínicas.
Logo na calçada, na primeira rua a esquerda da saída do túnel do metro, vá até a Teodoro Sampaio.
Devo admitir que a parte física da rua, facilita a todos na descida, mas não é nada amiga na subida. Ladeiras a parte, você acha na Teodoro móveis de todo o tipo. Talvez não os top’s, mas com certeza achará uma diversidade imensa de tipos e estilos.
Mas – sempre existem esses “mas” por lá – logo no começo da ladeira da Teodoro, meio que de maneira irreconhecível e impressionante (ow, eu não sou de Sampa, então pra mim foi meio estranho) dê uma olhada às placas das ruas transversais e você encontrará a.... Oscar Freire.
Nada do que eu tinha imaginado no início, mas estava escrito lá... Oscar Freire.
Minha irmã que me acompanhava também não entendeu bem ao certo como um lugar destinado às maiores riquezas do mundo fashion, poderia parece tão... discreta?
É claro que entramos na rua e começamos a descê-la. Por um tempo, o clima meio nublado da cidade mantinha a cor da rua meio estranha, bem longe do que imaginávamos ser a “Rodeo Drive Brasileira” – não era pra ser???? -.
Com o passar dos passos, adentrávamos ainda mais na rua e, tanto as pessoas como os lugares começaram a transpirar o que imaginávamos. Realmente, foi espetacular!
Não foi bem a Rodeo Drive, mas seus créditos estão estampados na quantidade de lojas chic’s por metro quadrado. Impossível não gastar!!!
Se você for, aproveite pra bater pernas até não agüentar. Até um homem como eu, é capaz de abdicar a esses gracejos e dar uma pausa na velha manha de se sentir cansado quando está acompanhando uma mulher em comprar.
Sugestão: Se estiver acompanhada de uma mulher, divida o passeio em etapas. Uma vez você acompanha ela até uma loja, na próxima, ela que acompanhe você. Também existe a possibilidade da separação por permanência na Oscar Freire. Cada um toma seu rumo – isso é bom quando estão entre amigos casais - e depois é só combinar de se encontrar na sorveteria da Häagen-Dazs.
Imperdível.
Não quero me prolongar no post e nem em contar as surpresas da rua mais badalada da cidade – pelo menos badalada pelos turistas ela é – mas, finalizando, peço que prestem atenção nas ruas laterais como Augusta e Haddock Lobo que dispensam comentários!
Ahhh e a noite? O que fazer?
Dica: Restaurante The View no Ed. Transamérica na Alameda Santos. Vista panorâmica da cidade e tudo de bom!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Segundo dia

Inspiração pra leitura. Escute enquanto lê
Garrison Starr – Beautiful Los Angeles

Embalado por “Amor e Inocência” de Julian Jarrold, que conta ou pincela um pouco da vida de Jane Austen - realmente não sei se os fatos no filme representam os acontecimentos da época – me empolgo a escrever sobre um segundo dia na cidade maravilhosa, que pra mim é São Paulo, pelo menos tratando-se de Brasil – desculpa Rio -.
Ainda falando da autora acima, quero deixar registrado o filme “Clube de leitura de Jane Austen”que deveria ser visto e “copiosamente imitado” por todos nós brasileiros carentes de leitura. O filme mostra um grupo de pessoas, na maioria mulheres, que escolhem as principais obras de Austen para ler e discutir.
Sem duvida não importa se a literatura for estrangeira ou nacional. Na minha opinião, no mundo não existem fronteiras – isso é conceito de mundo e comunidade virtual - , somos “farinha do mesmo saco” e todos, sejam pertencentes à cultura que for, desempenhamos algum papel racional nesse planeta. Por assim dizer, deveríamos nos orgulhar de qualquer obra que possa ter saído do brilhantismo de uma cabeça humana.

Seguindo com a viagem, a promessa era acordar cedo nos poucos dias que ficaríamos por Sampa para aproveitarmos o máximo a viagem.
Tomamos um café rápido no hotel e partimos ao primeiro destino do dia, a Bovespa.
É incrível como um local te traz pelo menos outros cem lugares a serem vistos, visitados e vislumbrados.
De metrô, paramos na estação da sé – a mais próxima da Bovespa -, próximo a Praça da Sé e da Catedral da mesma. Não quero me prender aos cuidados que você deve tomar ao passar por essas áreas, mas ao mesmo tempo, não quero que você perca a chance de poder olhar para os edifícios no melhor estilo Old European – se é que existe isso – e indo mais além, posso até me arriscar a dizer que estes tem uma grande semelhança com as construções características de castelos da França.
O passeio na Bovespa é interessante, principalmente em tempos de crise, mas se você tiver a sorte de ter um guia como o nosso, poderá ver muito mais do que ações sendo negociadas. Andando pelas ruelas – uma espécie de calçadão – fomos até um prédio pertencente da bolsa de valores e que hoje abriga obras adquiridas pela instituição. Vale a pena!
Almoçamos pelos arredores – existem muitos restaurantes bons não escondidos que você deve preparar-se para pagar, mas existem outros dentro dos prédios, quase undergrounds, que você como bem por um preço justo -.
Como estava com minha irmã, aproveitamos e fomos ao Bom Retiro bater pernas e garimpar algumas peças de roupas. Sinceramente? Não faz muito meu estilo o bairro. Apesar de ser fissurado por moda e adorar correr atrás de peças e auxiliar seja quem for na compra de roupas. Acho que o Bom Retiro é muito bom pra quem tem lojas e quer fazer compras no atacado.
Mas... se você for experto vai saber que próximo dali está a estação da luz dos trens e que sinceramente pode ser fotografado e admirado por um longo tempo. Ali perto ainda temos a pinacoteca e o museu da língua portuguesa que valem a pena ser vistos e fotografados pra quem vai pela primeira vez.
Mais a frente fica o famosíssimo Mercado Municipal – pergunte às pessoas na rua sua localização. A forma como os paulistas recepcionam os turistas é coisa rara de se ver. Se me pedissem para descrever a principal qualidade de um paulista eu diria que é o altruísmo, boa vontade de sempre ajudar e a inteligência -. Lá no Mercado, corra para o segundo pavimento atrás dos ventiladores que refrescam o lugar e dos ótimos barzinhos, que servem o famoso sanduíche de mortadela – não... não é mortaNNNNdela -. É tudo muito limpo e nos cativa a “perder” uns bons minutos com os amigos.Pegando o metrô novamente vá até a Barra Funda e conheça o Bourbon Shopping Pompéia que tem o primeiro cinema IMAX do Brasil.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Inspiração pra leitura. Escute enquanto lê
Nouvelle Vague - Just can’t get enough
Turin Brakes – Rain City

Devo admitir que antes de todos aderirem a tendência de slow blogging eu já era um praticante nato e assíduo! Podem ver pela quantidade dos meus posts e a relação de tempo entre as datas. Também admito que, se eu pudesse, criaria umas mil contas diferentes no Blogger inventando outros tantos títulos para blogs e ao mesmo tempo abordando centenas de assuntos diferentes sem nenhuma ligação comum ou similar entre estes. Como tenho me contido nas publicações, acho que posso dizer que encontrei um bom motivo para explicar meu “slow blogging” de alguns anos.
Enfim, como não sou famoso no ramo – dos blogs - e ainda tenho muito o que aprender com as maneiras existentes de se escrever e elaborar textos coerentes, quero recomeçar a tentar escrever qualquer coisa com ou sem sentido sobre algo ou situação interessante.
Nada de Big Brother, nada de exposição pessoal. A intenção é ajudar, dar dicas, receber críticas, poder ler, ser lido e finalmente – não acredito que procuro por isso ainda na internet haha é só o que procuro!! – trocar conhecimentos.
Dou inicio as postagens com minha viagem a São Paulo, terra da garoa que não garoa tanto quanto minha Joinville aqui de Santa Catarina – não, não sou um dos “atingidos” pelas chuvas -, mas que é uma explosão da diversidade cultural e uma agente da hiperativa.
Como fiz um roteiro antes de ir a essa cidade que me enche os olhos – sempre que posso, vou até lá, mas como dessa vez fui passar uns dias das minhas férias decidi “viver” um pouquinho da cidade -, arrisco a convidar quem ler os próximos posts a seguir essa rota pré traçada.

Ao chegar a Sampa, sendo de ônibus ou avião, procure qualquer lugar – limpo e generosamente confiável – para tomar um bom café acompanhado de alguns pães de queijo. Não importa a hora, a combinação sempre será perfeita.
Estomago muito bem enganado, é hora de pegar um taxi e esquecer as outras possibilidades – ônibus e metro com malas pesadas é mico na certa – e se a viagem foi longa, logo após fazer o check-in no hotel – que pode ser qualquer um nos jardins - jogue as coisas num canto e perca a hora no quarto com o ar condicionado no máximo.
Cumprimos exatamente o dito acima e nos programamos para acordar logo no início da noite – sim, eu durmo com o celular no lado da cama, quem não dorme? – pra avaliarmos a possibilidade de fazermos algo naquele dia.
Estávamos na 9 de julho, bem próximo a Alameda ou Rua Lorena. Sem indicações, nos arrumamos no melhor estilo go jogging, e fomos fazer o reconhecimento da Lorena. Tirando o traje atípico para o que vimos por lá e para o que tivemos vontade de fazer, nos contentamos a fixar os pés apenas nas calçadas e nos vislumbrar com uma rua repleta de barzinhos, restaurantes, apartamentos residenciais simples e lindos, ruas lendárias que cruzam – Augusta – e, o grande tesouro, Livraria da Vila.
Não importa como está vestido, toda hora é hora pra se entrar em uma livraria e principalmente se for uma da Vila – dizem que a da Vila Madá é melhor, mas como não tive a oportunidade de visitá-la o meu voto fica com a filial na Lorena –.
Espaço aconchegante e que te convida a passar um dia inteiro comendo livros, elevando a adrenalida, fazendo com que você tenha pensamentos loucos do tipo “comprar tudo que conseguir carregar - a Livraria da Vila tem a disposição um acervo de livros estrangeiros muito grande. Sem falar em títulos de alguns ótimos livros que não se encontram em lugar nenhum do mundo.
Mas, se você não quiser gastar, depois de passar umas duas horas por lá, sendo atendido da melhor forma que se poderia ser atendido em um lugar onde se vende livros – ninguém fica te perguntando se você procura algo em especifico, apenas observam suas reações e percebem o exato momento que você necessita de ajuda – e aproveitando aquele mar de enriquecimento cultural, sugiro que compre um Moleskine original – SIM! Lá tem!!!! – para se sentir um pouco mais próximo do que existe de melhor em termos de cadernos que realmente valem a pena de anotação.
Copiando um texto do próprio site do Moleskine ele é definido assim:

Moleskine is the heir of the legendary notebook used for the past two centuries by great artists and thinkers, including Vincent Van Gogh, Pablo Picasso, Ernest Hemingway, and Bruce Chatwin.
This trusty, pocket-sized travel companion held their sketches, notes, stories, and ideas before they became famous images or beloved books. The little black notebook, with its typical rounded corners, elastic closure, and expandable inner pocket, was originally a nameless object. It was produced by a small French bookbinder, that supplied Parisian stationery shops frequented by the international literary and artistic avant-garde for more than a century.

Se ainda tiver dinheiro, sugiro que compre um guia pocket book da Authentik - authentikbooks.com - de alguma bela e glamorosa cidade no mundo. Minha escolha foi pelo guia de endereços chics de Londres. Além de ser um item de colecionador, o livrinho tem ilustrações de alguns dos locais ali indicados... e que ilustrações – um dos principais motivos do investimento -!
E ainda não acabou. Suba até o primeiro andar pelas escadas e tome um café pra abaixar total a adrenalina.
Por fim, volte ao hotel e se jogue na cama com seus livros, folheando-os sem sentido, só pelo simples prazer do cheiro que emana dali!




domingo, 23 de novembro de 2008

Tenho visto alguns filmes nesses últimos tempos que me fazem lembrar o quanto pode ser bom escrever para o nada, amar o claro, sentir cheiros que normalmente não emanam aromas, coisas dos meus pensamentos, do meu alter ego, do que ainda não conheço mas que somente eu consigo compreender. Há tempos sinto a necessidade de escrever em partes uma história perfeita, uma história que possa fazer com que as pessoas possam se enchergar, possam se interessar em saber das coisas que normalmente negam que possam estar acontecendo. Essa vontade de escrever é contraída por um medo inexplicável, uma vergonha, algo parecido com a necessidade de lembrar de alguém, algo parecido com o "não ser lembrado" misturando-se com o "estou aqui".